Em 2012 será publicada a Quinta Edição do DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais). A Quarta Edição, que ainda está em vigor, foi publicada em 2000. É com base no DSM que psiquiatras do mundo inteiro realizam seus diagnósticos. Um manual dessa importância requer um delicado cuidado para ser desenvolvido. Oque é doença e o que não é depende do que consta nestas páginas. Para quem se considera louco, vítima da psiquiatria ou quem sempre diz que "maluca é a mãe" fique atento no que está por vir.
A Quinta Edição está sendo criada de maneira muito sigilosa, como todas as outras, privando o setor público de contestar e averiguar as futuras patologias. Trantando-se de um assunto público, público deveria ser. E não aceitar a coisa pronta, todos nós queremos participar dessa brincadeira! Eu fico imaginando um bando de psiquiatras reunidos comoCavaleiros da Tavola Redonda confabulando sobre casos clínicos, corpos, mentes, manias, meias, dentes, pentes de remédios e assim vai. Tudo e mais um pouco para defender o direito da sanidade moral e do decoro social.
Imagino que muito desse sigilo deve-se ao fato de evitar grupos ativistas e principalmente a pressão das indústrias farmacêuticas, a outra vilã. Que obviamente beneficia-se muito com a DSM, seguindo a lógica: mais doenças, mais remédios; mais remédios, mais lucro. E viva o capitalismo! (ironia)
Desde a primeira edição, de 1957, até o dia de hoje, o manual já triplicou o número de doenças mentais. Novas categorias já estão sendo cotadas para fazerem parte do DSM-V, como a compulsão por compras e por comidas. Interessante, não? E outras sendo analisadas para serem retiradas, como o Transtorno de Identidade de Gênero/Disforia de Gênero. Mesmo que seja uma previsão já é um passo importante para as questões Trans.
Durante os dias 16 e 21 de Maio deste ano houve um encontro anual da APA (Associação Americana de Psiquiatria) na cidade de São Francisco, California EUA. Dentro inúmeras discussões, uma era a retirada ou não da Disforia de Gênero.
Segundo o Dr. William Narrow, diretor de pesquisa pela APA da força tarefa DSM-V disse que a APA tem recebido respostas da comunidade transexual desde que os grupos de estudo do DSM-V foram anunciados no encontro anual do ano passado. " Existem muitas preocupações sobre o tratamento exigido pelo transtorno de identidade de gênero, bem como preocupações sobre o próprio transtorno", disse Dr. Narrow. "É um transtorno mental versus transtorno físico, ou é uma variação normal do comportamento humano?". O grupo de trabalho da APA tem "ouvido atentamente a essas preocupações e eu acredito que conseguimos entendê-las e estamos trabalhando muito para resolvê-las", ele acrescentou. O simpósio foi outra oportunidade de encontrar com todos líderes da comunidade transexual sobre essas questões.
Entretanto, ele acredita que a controvérsia seja menos sobre o diagnóstico e mais sobre o tratamento, particularmente em crianças. Para adulto, os tratamentos, incluindo terapia hormonal e cirurgia, não são tratamentos psiquiátricos típicos e , na verdade, não são feitos por psiquiatras". Ele enfatizou que essas questões não têm relação com o diagnóstico, que é onde está o foco do grupo DSM-V, particularmente de crianças. "É claro que diagnóstico e tratamento estão ligados, mas o DSM não dá orientações sobre o tratamento para nenhum transtorno. Eu acho que é muito mais fácil chegar a um entendimento sobre o diagnóstico", ele acrescentou. "Qualquer coisa que seja decidida, nem todo mundo concordará com isso, mas o nível de emoção acerca das questões diagnósticas é um pouco menor".
No entanto, durante este processo, ficou claro para a APA que o tratamento do transtorno ainda não foi bem sintetizado, observa Dr. Narrow.
Então eu me questiono, se o caso acima não é considerado como um típico tratamento psiquiátrico e não oferecem soluções para o tratamento, por que categorizar a questão como patologia?
O próximo encontro dos "Doutores da Alegria" será do dia 22 a 26 de Maio de 2010 em New Orleans, Los Angeles EUA. As inscrições estão abertas, vale a pena levar uma torta para os conservadores de plantão!
Eu sei que existem muitos outros fatores sociais e políticos a serem discutidos sobre a questão trans. Mas considero essa questão como mérito de saúde pública de tanta relevância quanto às outras. COntinuo a acreditar na EUFORIA e não na disforia de gênero. E assumo pretensiosamente, que é uma lástima uma boa parte das/dos/dis Trans do Brasil aceitarem a disforia, por motivos legítimos, mas acredito que outra forma de luta é possível. Outro mundo é possível!
PANO DE FUNDO
Para toda ação existe um contra ataque, principalmente quando um sistema auto destrutivo de corporações lucrativas apóiam-se na felicidade do ser humano e, frequentemente, vender-nos esperança de um futuro como substituto de um presente transformador.
Um movimento intitulado STP 2012 (Stop Trans Pathologization) está mobilizando pessoas e grupos para lutarem contra a continuidade da categorização da Disforia de Gênero. São mais de 110 grupos e aliados espalhados em mais de 30 paises pela Ásia, África, Europa, América do Sul e do NOrte, além, de 4 grupos que criaram uma rede na internet para divulgar a causa.
O interessante são os paises da América do sul que já assinaram a causa de luta, são eles: Argentina, com 11 grupos. Chile, com 6 grupos, Colômbia, com 6 grupos. Equador, com 10 grupos. El Salvador, com 2 grupos, lembrando que um desses grupos é a Igreja da Comunidade Metroplitanea de El Salvador(??????). Guatemala, com 1 grupo. Nicarágua, com 6 grupos. Peru, com 3 grupos e Paraguai, com 1 grupo. Será que não está faltando ninguém?
O Brasil não se encontra nessa lista, não sei quais os motivos que nenhum grupo desse país tão pequeno e pobre de informação não aderiu. Ou por serem contra ou por não saberem do que está acontecendo, suponho eu. Grande ironia do destino para os grupos políticos LGBT.
Vale a pena conferir o que essas pessoas estão fazendo, além de você poder mostrar seus votos de solidariedade ou até mesmo de entrar na causa ajudando a divulgar, traduzir textos e até mesmo mobilizar pessoas da sua cidade. Outra informção interessante é que no dia 17 de Outubro deste ano haverá uma mobilização mundial pela causa. Pessoa do mundo inteiro neste dia se reunirão em frente de instituições médicas e públicas de suas respectivas cidades para protestarem. Esse projeto acontece desde 2008 sempre no mês de Outubro. Organize o seu!
E por último e não mesnos importante é lembrar os cincos tópicos defendidos pelo STP 2012, são eles:
1- A retirada do Transtorno de Identidade de Gênero dos manuais internacionais de diagnóstico (em suas próximas versões DSM-V e CIE-11).
2- A retirada da citação do sexo em documentos oficiais.
3- A abolição dos tratamentos binários em pessoas intersex
4- O livre acesso aos tratamentos hormonais e cirurgias sem a tutela psiquiátrica
5- A luta contra a Transfobia: e o trabalho para a formação educativa e a inserção social e a capacitção profissional das pessoas Trans.
Agir localmente é pensar globalmente, faça a sua parte.




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