22 de set. de 2009

TURMINHA BACANA

  Eles não são conhecidos mundialmente, não possuem tanta notoriedade na mídia e a fama nem passa perto de seus pés, ainda bem que não. Provavelmente você já se deparou com algumas fotos em sites, revistas, jornais e até em capas de discos de bandas famosas dessas figurinhas que despontam cada dia no cenário artístico-fotográfico de Nova Iorque.
  Dash Snow, Ryan McGinley e Cass Bird são três fotógrafos que se destacam em suas particularidades de um novo viés da fotografia. Apesar de trabalharem independentes e de terem propostas estéticas diferentes, há uma linha tênue  no trabalho de cada um. A sexualidade e corpo são temas marcantes no universo desses fotógrafos, embora não sejam temas principais de projetos desenvolvidos por cada um, esses tópicos são indispensáveis para eles. Já está incrustrado em cada ponto revelado que nos leva sentir a necessidade de mostrar para nós mesmos e para o mundo a beleza, a naturalidade, o visceral, do que foi criminalizado pela nossa sociedade e retratar indivíduos que muitas vezes não são chamados de comuns.
  Obviamente não tenho a pretensão de fazer críticas de arte, até porque esse nem é o meu forte e longe de mim discutir "arte". Foi através do meu passatempo predileto, isolar-se do "mundo" e procurando alternativas de combater o tédio que me levaram a criar o hábito de pesquisar fotógrafos e afins. Foi assim que eu cheguei nessa turminha bacana que merece uma atenção.

DASH SNOW: (abaixo, o próprio Dash Snow)
Infelizmente no dia 24 de Julho de 2009 o fotógrafo foi encontrado morto no Hotel Lafayette na região leste da cidade de Nova Iorque. Aos 27 anos o jovem foi encontrado em uma cena que bem representava sua característica fotográfica. Policiais e detetives encontraram duas latas de cerveja, uma garrafa de rum e uma mochila contendo restos de heroína e duas siringas usadas. Morte declarada por overdose.
  Poderiamos dizer que Dash era o mais novo Larry Clark(fotógrafo e diretor que ganhou fama pelo filme Kids nos anos 90). Seu trabalho que era feito em Polaroides não havia encenações e poses. A retratação do sexo, uso de drogas, violência, prostituição e uma franqueza da realidade nua e crua de um estilo de vida "decadente" de jovens artistas nova-iorquinos e os seus ciclos de convivência.
  Para quem aprecia o mundo das ruas e tem estômago forte irá gostar do trabalho do Snow.
Site de Dash Snow

                                                                                                (polaroide: Dash Snow)

   RYAN McGINLEY:
            (foto: Ryan McGinley)

  O fotógrafo e designer de 32 anos têm um vasto currículo em galerias de arte pelo mundo e publicações em livros. Bem diferente do Trabalho de Dash Snow, que por coincidência era seu melhor amigo, Ryan propõem a natureza e a naturalidade. Corpos nus é destaque no meio de lugares inóspitos com luzes quentes e avermelhadas, longe de julgamento de padrões. A androginia e a idéia de assexualidade são o que compõem seu trabalho de 2008 intitulado "I Know Where The Summer Goes"(do inglês, Eu Sei Para Onde Vai O Verão). Tal trabalho ganhou notoriedade quando virou tema de capa e encarte do último disco da banda islandesa Sigur Rós, chamado Gobbledigook (incontável, bagunça, em islandês).
  Para quem gosta de temas relacionados à natureza, naturalismo, androginia, ou seja, para quem gosta de sair "como veio ao mundo" sem pudor nenhum vai conferir o trabalho desse cara que vai fazer bem aos olhos!
Site do Ryan McGinley

 (foto: Ryan McGinley)

CASS BIRD:
Cass Bird ganhou destaque depois de uma exposição em formato de calendário intitulada "Lesbia JD's Utopia", que tinha como modelo principal a ex-integrante da banda Le Tigre Jd Samson. Basicamente um calendário para mulheres que se relacionam com mulheres. Ganhou espaço em capas de revista como a The New York Times Magazine, Fader e entre outras. Sendo, inclusive, convidada a fotografar o álbum Beverly Hills da banda Weezer. Mas não é pela merecida notoriedade que Bird ganhou ao longo dos anos que ela deixou de lado seu lado político e artístico decaírem. Suas fotografias, na maioria em paisagens urbanas e documentais, retratam de vidas que resistem e que criam alternativas para as estruturas de normas sociais. Mostrando uma convergência de estilos alternativos, com concepções de maternidade, família, papéis de gênero, sexualidade e feminismo. Um trabalho bem interessante que com certeza tem os meus votos de predileto. (foto a esquerda: cass bird)

  Pode-se perceber que além das questões de sexualidade e corpo e afins, todos os fotógrafos possuem uma ligação com música e bandas. Por isso, eu imaginei uma trilha sonora para cada um deles. Obviamente, quem for conferir o trabalho dessa galera pode seguir o "set list" de fundo que segue abaixo, ou mesmo apreciar o silêncio.

                                                             (foto: cass bird)                      
      
Dash Snow - banda Barr com a música The B-Side Is Silent ( dá para assistir no youtube e inclusive conferir a participação especial do Dash Snow no clipe)

Ryan McGinley - banda Sigur Rós com a música Gobbledigook

Cass Bird - banda New England Roses com a música All For The Day (detalhe que a Jd Samson participa dessa banda junto com o vocalista do Barr) dá para escutar o som no myspace deles






17 de set. de 2009

Proclamando Nossos Corpos

  Há quem diga que beleza põe a mesa, há quem diga que é necessária, há quem diga que é o que está na mídia, há quem diga que é relativa que é subjetiva que não importa. Todos nós conhecemos o bombardeio de informações visuais que a mídia nos impõe como concepção de beleza. Do genocídio que a indústria da moda cria no comportamento. Da indústria pornográfica e a imposição de corpos perfeitos para satisfazer o desejo. Uma luta de criatividade e ganância em criar o inacessível para o comum, para mim e para você. E o pior é que nós a compramos e aceitamos essa padronização de deusas e deuses gregos.
  E seu eu dissese que aquele deus grego tem algo a menos do que o previsto? E se eu lhe contasse que aquele cara que lhe faz tremer nas bases tem algo mais do que o inimaginável? E se não fosse nem aquele e nem aquela? E se eu sugerisse que essas pessoas circulam por nós todos os dias e muitas vezes nem percebemos. E muitas vezes já olhamos com olhares de desejo e nem sequer imaginamos o que esconde por de trás desses corpos. E se a verdade viesse à tona e mostrasse que Ele tem o que Elas têm? Ou que tinha o que Elas têm? Seu desejo mudaria? Acabaria o tesão? Teria nojo? Vergonha? Sentir-se-ia traído?
  Sim, estou escrevendo de homens que venceram e vencem a cada dia a barreira social e biológica do gênero para criarem-se como homens. Cansados de se esconderem nesse esteriótipo do corpo endeusado e excitados em criar não só uma visibilidade política, mas uma notoriedade de sensualidade sobre seus corpos. E isso aconteceu, e está acontecendo neste exato momento.
  Em 1987, o até então jovem californiano Loren Cameron de 28 anos, começou sua transição de Mulher Para Homem (FTM, do inglês Female To Male). No ano de 93 ele começou sua carreira de fotógrafo e havia ao longo dos anos fotografando sua própria transição corporal. O que o levou a fotografar outras pessoas transexuais. "O que era para ser no começo apenas uma documentação pessoal da minha jornada, rapidamente me envolveu transformando em uma missão apaixonante. Instantaneamenete eu comecei a fotografar outras pessoas trans que eu conhecia e me senti obrigado em documentar seus sentimentos e seus corpos triunfados. Eu estava esperançoso de me tornar visível e desejado, e em troca, dar a visibiladade e a oportunidade das outras pessoas trans serem também desejadas. Eu queria que o mundo nos visse, eu digo, realmente nos visse", declara o fotógrafo. E foi o que ele fez!
  Em 1996 ele publica seu primeiro e notório livro de fotografia, o Body Alchemy: Transsexual Portraits. Eu particularmente tive a oportunidade de folhear o livro e babava a cada página, é claro que sou suspeito para falar já que sou publicamente assumido como um T-lover dos FTM, mas a questão não é essa. As fotos clássicas de nu artístico estão alí, mas com uma roupagem de questionamentos a beleza, o corpo e o desejo.


                                                          

Não satisfeito, Cameron foi além e publicou em 2001 o livro Man Tool: The Nuts and Bolts of Female To Male Surgery. Um livro que representa a urgência de contar e mostrar as transformações cirúrgicas e hormonais de um FTM. Um livro com mais de 40 fotos documentando experiências pessoais, cirurgias e sensações sexuais. Mais tarde o fotógrafo publica uma seleção de fotos durante os anos de 1997 e 2001 em uma excursão internacional sobre corpos, o livro Cuerpos Fotografiados Por Cameron 1 y 2. Infelizmente não tive ainda acesso a esses três últimos livros, porém, o Man Tool você consegue ler algumas partes pela internet. O que vale é uma das primeiras e notórias demonstrações artísticas em prol da visibilidade de homens transexuais e a construção de novos corpos.

 A NOVA GERAÇÃO 
   Dando esse título dá a entender que Loren Cameron é de um tempo distante, mas convenhamos que nos anos 90 documentar em fotografia nu artístico de transexuais era mais do que novidade e tabu quebrado. Se pararmos para pensar que na Rússia a homossexualidade deixou de ser patologia em 1999, podemos falar já de uma nova geração.
  Inspirado pelo trabalho de Cameron, o tatuador, designer e fotógrafo francês Kael T Block percebeu o poder e a importância de criar referências positivas da sua jornada de transição como um FTM. De criar imagens e textos que tocassem o coração e a mente do expectador, foi quando ele começou a colecionar fotos e histórias de outros homens trans.
  Em 2004 Kael criou o projeto XXBoys, que de inicio seria um projeto fotográfico acoplado de histórias escritas pelos próprios modelos. Construiu um blog, mas as coisas cresceram e o projeto virou um movimento artístico e político com base na teoria Queer. Todo o trabalho hoje está na internet dividido em dois site, um é o site pesoal e profissional do fotógrafo e o outro é do grupo XXBoys que tem como objetivo fotografar jovens homens trans pelo mundo inteiro, no site você confere jovens belíssimos da Europa, EUA e Canadá. No próprio site, que é extremamente interativo, existe uma ficha de inscrição para os garotos que gostariam de ser fotografados e terem seuas história documentadas.
  Hoje em dia o grupo tem vários seguidores além de terem se juntado a grupos políticos como o ACT-UP e o francês EXISTRANS. Diferente do trabalho de Cameron, Kael teve a preocupação não só da construção de um novo olhar sobre a sensualidade de "novos" corpos, mas da visibilidade política/social desse grupo que é tão pouco comentado e citado nas preocupações políticas dos LGBT´s. Quando o assunto é no Brasil, nem se fala.
  " A beleza não está na definição do corpo, dos músculos e das roupas. A beleza é a energia que você sente. A beleza vem da vida. Nós estamos em todos os lugares e nós somos lindos. Nós precisamos ser vistos como realmente somos, precisamos celebrar nossos corpos, e mudar a imagem de que os homens trans são tristes, loucos, solitários e incompletos." diz Kael.
  Esse projeto almeja criar a mudança na mentalidade da sociedade, dos olhos inquisidores e dos corações desses garotos.
  Sim, eles se auto proclamam gostosos, sensuais e dignos de tamanha beleza. Que suas cicatrizes sejam apenos o começo de um novo olhar sobre o corpo e desejo.
  Definitivamente eles são tudo isso e mais um pouco, aja libido!


                                                                         Kael T Bloc                              

il Castrato

                                                            
  A moda italiana do il castrati do século XVI está em alta no senado brasileiro.
  A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deve analisar um projeto de lei que pretende instituir a castração química para pedófilos condenados por estupro, atentado violento ao pudor e corrupção de menores. O idealizador do projeto, o senador Gerson Camata (PMDB-ES), quer criar a pena de castração química para pedófilos que cometam essas três modalidades de crimes contra menores de 14 anos. Segundo o senador o pedófilo possui uma deformação psíquica de tal ordem que impede a reabilitação de si.
  Mas o relator da matéria, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), não gostou muito do radicalismo do senador capixaba, entretanto, não desaprovou a castração. Para Crivella a castração não deve ser de caráter impositivo e apenas recomendar a adoção do tratamento hormonal voluntário. A justificativa de Crivella é que a imposição do "tratamento" viola a Constituição com penas cruéis. Não sabia que republicanos poderiam ser um poucos razoáveis. (ironia)
  A proposta do tratamento químico é de controle e diminuição da libido do condenado enquadrado apenas em casos mais graves, em que os tratamentos psicológicos ou psiquiátricos não terem surgido efeito. Mas será que o preso sairá perdendo? Imagina, ele ganhará um brinde, que poderá ter a pena reduzida em um terço, mas terá que começar a terapia antes da concessão de liberdade condicional.
  O tratamento que já é adotado nos Estados Unidos e Canadá, é de tornar possível o retorno do pedófilo ao ambiente social, depois de superada sua "patologia", deixando então de ser um "perigo" para os outros.
  E como fica os representates dos Direitos Humanos no Brasil e aliados nessa história? Parece que o pessoal não gostou muito não. O presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, diz que é incostitucional esse projeto de lei, pois, implica condições de crueldade. D'Urso reconhece que o crime de pedofilia é grave, mas resalta que o caminho para seu combate deve partir do reconhecimento de qua a pedofilia não é uma doença. Crimes devem ser tratados como crimes e doenças como doenças, salienta o presidente. Além de considerar o uso temporário não reduzem a libido, que serve apenas como uma alternativa "paliativa" para resolver o problema da pedofilia. " Se o preso tem esse desvio, vai voltar a cometer crimes contra crianças. Estamos diante de um engodo e não de uma castração", afirma D'Urso.
  Outro que foi contra a proposta foi o jurista Agesandro da Costa Pereira, presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, que pronunciou-se com as seguinte palavras: "É uma providência que afronta os princípios básicos em que se assenta a República Brasileira. Todo o arcabouço judicial-legislativo se assenta no respeito à dignidade da pessoa humana".
 Parece-me que o senador Gerson Camata vai ter um bom caminho de tesourinhas e bisturis pela frente.
 Antes de começarmos o jugalmento do que é crime, patologia ou perigo social nós temos um mundo chamado desejo. Intrigante território desprovido de origens, ele apenas é. Está lá e o ser humano sente. Um território sem fronteiras, morais, penalidades e patologias que cabe apenas aquele que o sente.
                                                                   
  O BAGULHO:
  Depo-Provera, esse é o nome da droga utilizada no tratamento químico-hormonal na castração, uma progestina que possui uma fama um pouco decadente por médicos e farmacêuticos. Os efeitos colaterais da droga leva o aumento de peso, fadiga, trombose, hipertensão, leve depressão, hipoglicemia e raras mudanças nas enzimas hepáticas. Sai fora!!!!

CONTRA PATOLOGIZAÇÃO TRANS 2012





  Em 2012 será publicada a Quinta Edição do DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais). A Quarta Edição, que ainda está em vigor, foi publicada em 2000. É com base no DSM que psiquiatras do mundo inteiro realizam seus diagnósticos. Um manual dessa importância requer um delicado cuidado para ser desenvolvido. Oque é doença e o que não é depende do que consta nestas páginas. Para quem se considera louco, vítima da psiquiatria ou quem sempre diz que "maluca é a mãe" fique atento no que está por vir.
  A Quinta Edição está sendo criada de maneira muito sigilosa, como todas as outras, privando o setor público de contestar e averiguar as futuras patologias. Trantando-se de um assunto público, público deveria ser. E não aceitar a coisa pronta, todos nós queremos participar dessa brincadeira! Eu fico imaginando um bando de psiquiatras reunidos comoCavaleiros da Tavola Redonda confabulando sobre casos clínicos, corpos, mentes, manias, meias, dentes, pentes de remédios e assim vai. Tudo e mais um pouco para defender o direito da sanidade moral e do decoro social.
  Imagino que muito desse sigilo deve-se ao fato de evitar grupos ativistas e principalmente a pressão das indústrias farmacêuticas, a outra vilã. Que obviamente beneficia-se muito com a DSM, seguindo a lógica: mais doenças, mais remédios; mais remédios, mais lucro. E viva o capitalismo! (ironia)
  Desde a primeira edição, de 1957, até o dia de hoje, o manual já triplicou o número de doenças mentais. Novas categorias já estão sendo cotadas para fazerem parte do DSM-V, como a compulsão por compras e por comidas. Interessante, não? E outras sendo analisadas para serem retiradas, como o Transtorno de Identidade de Gênero/Disforia de Gênero. Mesmo que seja uma previsão já é um passo importante para as questões Trans.
  Durante os dias 16 e 21 de Maio deste ano houve um encontro anual da APA (Associação Americana de Psiquiatria) na cidade de São Francisco, California EUA. Dentro inúmeras discussões, uma era a retirada ou não da Disforia de Gênero.
  Segundo o Dr. William Narrow, diretor de pesquisa pela APA da força tarefa DSM-V disse que a APA tem recebido respostas da comunidade transexual desde que os grupos de estudo do DSM-V foram anunciados no encontro anual do ano passado. " Existem muitas preocupações sobre o tratamento exigido pelo transtorno de identidade de gênero, bem como preocupações sobre o próprio transtorno", disse Dr. Narrow. "É um transtorno mental versus transtorno físico, ou é uma variação normal do comportamento humano?". O grupo de trabalho da APA tem "ouvido atentamente a essas preocupações e eu acredito que conseguimos entendê-las e estamos trabalhando muito para resolvê-las", ele acrescentou. O simpósio foi outra oportunidade de encontrar com todos líderes da comunidade transexual sobre essas questões.
  Entretanto, ele acredita que a controvérsia seja menos sobre o diagnóstico e mais sobre o tratamento, particularmente em crianças. Para adulto, os tratamentos, incluindo terapia hormonal e cirurgia, não são tratamentos psiquiátricos típicos e , na verdade, não são feitos por psiquiatras". Ele enfatizou que essas questões não têm relação com o diagnóstico, que é onde está o foco do grupo DSM-V, particularmente de crianças. "É claro que diagnóstico e tratamento estão ligados, mas o DSM não dá orientações sobre o tratamento para nenhum transtorno. Eu acho que é muito mais fácil chegar a um entendimento sobre o diagnóstico", ele acrescentou. "Qualquer coisa que seja decidida, nem todo mundo concordará com isso, mas o nível de emoção acerca das questões diagnósticas é um pouco menor".
  No entanto, durante este processo, ficou claro para a APA que o tratamento do transtorno ainda não foi bem sintetizado, observa Dr. Narrow.
  Então eu me questiono, se o caso acima não é considerado como um típico tratamento psiquiátrico e não oferecem soluções para o tratamento, por que categorizar a questão como patologia?
  O próximo encontro dos "Doutores da Alegria" será do dia 22 a 26 de Maio de 2010 em New Orleans, Los Angeles EUA. As inscrições estão abertas, vale a pena levar uma torta para os conservadores de plantão!
  Eu sei que existem muitos outros fatores sociais e políticos a serem discutidos sobre a questão trans. Mas considero essa questão como mérito de saúde pública de tanta relevância quanto às outras. COntinuo a acreditar na EUFORIA e não na disforia de gênero. E assumo pretensiosamente, que é uma lástima uma boa parte das/dos/dis Trans do Brasil aceitarem a disforia, por motivos legítimos, mas acredito que outra forma de luta é possível. Outro mundo é possível!

                                                             PANO DE FUNDO

  Para toda ação existe um contra ataque, principalmente quando um sistema auto destrutivo de corporações lucrativas apóiam-se na felicidade do ser humano e, frequentemente, vender-nos esperança de um futuro como substituto de um presente transformador.
  Um movimento intitulado STP 2012 (Stop Trans Pathologization) está mobilizando pessoas e grupos para lutarem contra a continuidade da categorização da Disforia de Gênero. São mais de 110 grupos e aliados espalhados em mais de 30 paises pela Ásia, África, Europa, América do Sul e do NOrte, além, de 4 grupos que criaram uma rede na internet para divulgar a causa.
  O interessante são os paises da América do sul que já assinaram a causa de luta, são eles: Argentina, com 11 grupos. Chile, com 6 grupos, Colômbia, com 6 grupos. Equador, com 10 grupos. El Salvador, com 2 grupos, lembrando que um desses grupos é a Igreja da Comunidade Metroplitanea de El Salvador(??????). Guatemala, com 1 grupo. Nicarágua, com 6 grupos. Peru, com 3 grupos e Paraguai, com 1 grupo. Será que não está faltando ninguém?
  O Brasil não se encontra nessa lista, não sei quais os motivos que nenhum grupo desse país tão pequeno e pobre de informação não aderiu. Ou por serem contra ou por não saberem do que está acontecendo, suponho eu. Grande ironia do destino para os grupos políticos LGBT.
  Vale a pena conferir o que essas pessoas estão fazendo, além de você poder mostrar seus votos de solidariedade ou até mesmo de entrar na causa ajudando a divulgar, traduzir textos e até mesmo mobilizar pessoas da sua cidade. Outra informção interessante é que no dia 17 de Outubro deste ano haverá uma mobilização mundial pela causa. Pessoa do mundo inteiro neste dia se reunirão em frente de instituições médicas e públicas de suas respectivas cidades para protestarem. Esse projeto acontece desde 2008 sempre no mês de Outubro. Organize o seu!
  E por último e não mesnos importante é lembrar os cincos tópicos defendidos pelo STP 2012, são eles:
1- A retirada do Transtorno de Identidade de Gênero dos manuais internacionais de diagnóstico (em suas próximas versões DSM-V e CIE-11).
2- A retirada da citação do sexo em documentos oficiais.
3- A abolição dos tratamentos binários em pessoas intersex
4- O livre acesso aos tratamentos hormonais e cirurgias sem a tutela psiquiátrica
5- A luta contra a Transfobia: e o trabalho para a formação educativa e a inserção social e a capacitção profissional das pessoas Trans.

  Agir localmente é pensar globalmente, faça a sua parte.